Começo por partilhar uma frase, que um dia partilharam comigo, e... que significa muito para mim: "A nossa maior glória não está em nunca cairmos, mas sim em nos levantarmos de cada vez que caímos." (Confúcio, 500 a.c.)

21
Dez 09

Desde há uns tempos que me sinto revoltada, desconsolada, impotente e muito triste por causa de uma doença chamada Alzheimer…

Isto porque, a cada dia que passa me “rouba” mais um bocadinho da minha avó.

A minha avó foi e é uma grande mulher. Uma lutadora, uma esposa exemplar, uma mãe presente e uma avó preocupada.

Recordo muitos bons momentos passados com a minha avó e com o meu avô. As férias que passava em Baião, as brincadeiras e asneiras na loja, a apanha das pinhas, dos pinhões, das amoras... O meu avô foi-me “tirado” há muitos anos. Não quis a vida que ele nos acompanhasse e vibrasse com os nossos sucessos e alegrias. Quando podia viver em pleno veio a hemodiálise, os problemas cardíacos e mais uma panóplia de doenças… Nem imaginam como me lembro dele, a falta que me faz. E a saudade? Parece que aumenta com o passar do tempo, não é bem como diz a sabedoria popular "o tempo tudo cura"!

A minha avó parece que nos deixa aos poucos, (que desiste) como disse por causa dessa tão famosa doença que parece que faz parte do quotidiano de tanta gente…

É tão injusta!

Temos tentado aproveitar ao máximo todos os bocadinhos que a minha avó nos dá… mas há situações tão difíceis, tão deprimentes, tão injustas, tão revoltantes…Dificeis de exprimir. Só quem as vive diariamente saberá do que falo e o que sinto!

Por causa do Alzheimer vê, ouve e fala sobre realidades ausentes, inexistentes, fantasiosas … e afirma-as com tanta convicção que nos dói ouvi-la…

Se antes não sabíamos lidar com esta doença, nem entendíamos o que se passava, actualmente lê-mos e partilhamos muita informação…

Se por vezes nos dá vontade de a chamar à razão, de imediato decidimos não a contrariar e conversar com ela, dar-lhe atenção, tentar perceber a realidade em que de vez em quando vive... Como diz uma amiga minha, pensa que é pior para vocês, ela não se apercebe, nem sofre como vocês…. Às vezes quero acreditar que é mesmo assim. Mas será?

E questiono-me e revolto-me sobre tantas outras coisas… mas não encontro respostas!

Dá muito, muito, muito trabalho e é muito cansativo lidar diariamente com situações inesperadas que este dito Alzheimer teima em nos dar, mas deu-nos outra coisa, fortaleceu-nos enquanto família. Cá em casa gerimos tudo de forma a estar sempre alguém a fazer companhia à minha avó, as nossas saídas em família acabaram, mas os nossos laços fortaleceram-se…

Só espero tê-la aqui muito tempo e com o máximo de lucidez…

E…a quem têm avós aconselho a “aproveitá-los” ao máximo…

É o que fazemos cá por casa, por exemplo, por opção este ano ficaremos no Natal e na noite da passagem de ano todos juntos… tentaremos fazer deste Natal um Natal muito especial… Inesquecível…

A todos desejo um excelente Natal.

Beijinhos

publicado por Filipa às 15:34

comentários:
Li o testemunho que dei sobre a doença de Alzheimer.
Questiona-se, "mas será"? É mesmo assim. Essa doença é caracterizada pelo declínio da memória, desorientação tempo-espaço.
O que eles precisam mesmo é da presença da família e de muito carinho.
Bem-haja, por haver pessoas que ainda sabem amar incondicionalmente.
Madalena
Anónimo a 30 de Dezembro de 2009 às 20:18

Obrigada pelo seu comentário, Madalena...
Amar incondicionalmente é o que nos mantém vivos, não é?
Participe sempre...
Beijinhos
Filipa
Filipa a 31 de Dezembro de 2009 às 00:13

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