Quem me conhece sabe que um dos meus maiores desejos (há muitos, muitos anos) é ser mãe. Talvez porque tenho como referência a minha MÃE. A minha (nossa) mãe viveu e vive muito em função de nós! Das nossas alegrias, tristezas, sucessos, conquistas…! Abdicou de uma carreira profissional... também por nós. Esteve e está sempre presente e atenta às nossas particularidades. A sua maior preocupação foi transmitir-nos valores e ensinar-nos a "sentir", a reflectir... Já lhe disse algumas vezes, quando me desiludo com os outros, quando não entendo comportamentos e atitudes, que não sei se nos educou para o mundo em que vivemos, apesar de ter a certeza que nos educou muito bem E porque a sociedade muda, mudam as mentalidades, as formas de educar e transmitir valores. Mas será que a mudança é mesmo como no texto que a seguir partilho??? Fiquem bem, O autor deste texto é João Pereira Coutinho, jornalista. Vale a pena ler! "Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a tomar Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!" ... da forma que eu gostaria de um dia educar um filho meu!
"Para pensar" Beijinhos